Formação de formadores: Re-Crafts leva artesanato sustentável a Portugal

O Município de Santa Maria da Feira, concretamente a freguesia de Paços de Brandão, em Portugal, acolheu, nas instalações da FEDESPAB, entre os dias 13 e 17 de Abril de 2026, a formação internacional de formadores do Re-Crafts, um projecto que tem como objectivo abordar o tema do artesanato através do uso de materiais reciclados e locais, promovendo a formação profissional e o reforço do setor, através da criação ou consolidação de negócios, com especial enfoque na empregabilidade.

O Re-Crafts, financiado pelo programa Erasmus+, levou a Portugal 12 técnicas de upcycling e artesanato, previamente seleccionadas nas duas reuniões presenciais que antecederam a formação. As referidas práticas são realizadas com base em materiais reciclados e locais, articuladas com técnicas de empreendedorismo e preservação cultural.

A ser implementado por seis parceiros internacionais - Rosto Solidário e FEDESPAB (Portugal), Cáritas de Angola (Angola), Cáritas Moçambicana (Moçambique), Espaço Jovem (Cabo Verde) e ASPAYM (Espanha) – o Re-Crafts levou às instalações da FEDESPAB quatro representantes de cada parceiro, sendo ao menos dois artesãos/ãs e dois técnicos/as afetos ao projeto. À estes artistas coube a missão de levarem a Portugal duas técnicas sustentáveis ligadas ao artesanato e à reutilização criativa de materiais, que posteriomente serão testadas pelos beneficiários em diferentes países, sendo exigido que cada uma seja experimentada por pelo menos três parceiros de dois continentes diferentes. A Paços do Brandão foram levadas as seguintes técnicas:

  1. Artesanato da Natureza (FEDESPAB)

  2. Bonecos de Trapos (FEDESPAB)

  3. Cestaria com tecidos (CA)

  4. Galinhas de Angola (CA)

  5. Vidro – elementos decorativos (CM)

  6. Bijuteria e adereços com missangas (CM)

  7. Upcycling de roupa (ASPAYM)

  8. Cintos com pele curtida vegetal (ASPAYM)

  9. Eco croché (EJ)

  10. Cestaria (EJ)

  11. Couro patchwork (RS)

  12. Pintura em vidro (RS)

Entre linhas, fibras e criatividade: Re-Crafts transforma aprendizagem em arte e partilha cultural

Num ambiente de total descontração e obedecendo a um mapa previamente elaborado, os artesãos e técnicos mergulharam numa verdadeira viagem criativa durante a formação internacional de formadores. Ao longo da semana, as instalações da FEDESPAB transformaram-se em pequenos laboratórios de imaginação, onde mãos experientes e mãos tímidas se encontraram para aprender, errar, rir e criar.

Todos os dias eram marcados por quatro sessões dinâmicas — duas no período da manhã e duas durante a tarde — nas quais cada participante escolhia livremente a técnica que desejava explorar. Não importava se era artesão profissional, técnico do projeto ou simplesmente alguém curioso para experimentar algo novo: naquele espaço, todos eram aprendizes e mestres ao mesmo tempo.

Entre linhas, fibras, vidros, couro e materiais reciclados, o ambiente era uma mistura contagiante de entusiasmo, ansiedade e descobertas inesperadas. O artesão habituado a cestaria descobria, entre risos, que também tinha talento para o eco croché; quem dominava o couro surpreendia-se ao criar delicadas peças de bijuteria; enquanto outros, inicialmente inseguros com as próprias “desabilidades”, acabavam por revelar um lado artístico até então adormecido.

Cada sessão era conduzida pelos próprios artesãos responsáveis pelas técnicas, que partilhavam pacientemente o passo a passo dos processos criativos, incentivando a experimentação e a troca de experiências entre participantes de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Espanha e Portugal. Mais do que ensinar técnicas, o Re-Crafts construiu pontes culturais e humanas, mostrando que a criatividade também nasce da partilha e da colaboração. As 12 técnicas de upcycling e artesanato levadas para Portugal mostraram como materiais simples e reciclados podem ganhar nova vida através da arte, da sustentabilidade e do empreendedorismo. A cada nova sessão, surgiam peças únicas, novas amizades e histórias que atravessavam fronteiras.

Terminada a formação em Portugal, cada parceiro levou na bagagem muito mais do que técnicas artesanais: leva inspiração, conhecimento e a missão de replicar as aprendizagens nos seus países, através de workshops locais cujos resultados deverão ser apresentados no próximo encontro presencial do projeto, marcado para Outubro, em Moçambique.

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